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Viagens da Anna
 


AHAAHAAHAAHAHAAA.

Estou rindo por dentro. Bem la no fundo, estou gargalhando. A greve da Broadway acabou hoje. Volto hoje para o Brasil! Nao eh engracadissimo?

Escrito por Anna T. às 17h52
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THE L WORLD

Resolvi conhecer Williamsburg. Tinha ouvido falar do bairro, que era o novo "hip neighbourghood", que era o "Lower East" dos anos 00 and so on. Peguei o trem L na Union Square e desci na primeira parada do Brooklyn: Bedford Avenue. Ai sai na rua North7 e fui andando. Eh um bairro muito gostoso, mesmo. Super calminho, com enormes galpoes industriais - alguns largados, outros que foram reformados e viraram lojinhas descoladas, brechos, galerias... Tem mesmo um astral East Village, mas muito mais tranquilo, um pessoal mais sossegado, mas com a mesma vibe alternativa. Passeei por livrarias, cafes, portinhas - soh com um balcao - vendendo comida polonesa, uma loja de produtos nordicos, um restaurante/casa de cha vietnamita, muitos brechos, lojas de discos de vinil e quetais. O lugar eh tao cool, tao sossegado, que as lojas so abrem a partir das 12h. Eu cheguei la pelas 11a.m. e fiquei andando pelas ruas com a sensacao de que era feriado: as pessoas passavam calmamente de bicicleta, tinha caminhoes pela rua, um outro mundo.

Comecou a chover, eu andei ate a beira do rio, de onde dava para ver justamente o Lower East Side de Mannhattan, tirei umas fotos da "praia", com uns megapatos passeando na areia, depois entrei num cafezinho simpatico e fiquei esperando o sol voltar. E foi tudo isto. Peguei o trem e voltei pra ilha. Hoje eh dia de voltar para casa, ainda tenho que fazer a mala.

A boa noticia eh que encontrei dois dvds que meu pai queria numa lojinha de videos cult. Voce veja so.

Escrito por Anna T. às 17h46
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SMALL AND CRISPY NOTES

Para minha sorte, soh ontem descobri a chocolateria do Jacques Torres, no West Village (ou Meatpacking, enfim, eh lah embaixo, na Hudson Street). Digo que foi uma sorte, porque hoje tive que voltar la. Eh o melhor chocolate quente de todo o universo. Feito com 60% de chocolate amargo derretido, nao sei quanto de leite (a 2% de gordura) e os outros ingredientes variam de acordo com o fregues: pode ir pimenta chipotle, pimenta jalapeno, laranja, gengibre, da ate pra ser so o leite. Eh a-ma-zing. Nunca mais volto la, ate amanha.

...

Ontem fui ateh o campus da Columbia University, no Upper Upper West Side. Tava um dia lindo. Eu sentei nos degraus da biblioteca, junto com outros varios estudantes que tomavam sol na hora do almoco, e brinquei de estar ali por varios minutos. Depois fui andando ateh o Harlem - desta vez fui ate a rua 125 - comi uma pizza num banco da Morningside Drive, peguei o trem e voltei.

...

Minhas aulinhas tem sido muito divertidas. Minha professora resolveu que eu tenho que cantar em cima de um trampolim - para liberar a mente, fazer o corpo responder intuitivamente e fazer o ar fluir de forma mais natural e intuitiva. Dificil eh nao gargalhar cantando e pulando numa cama elastica - e me vendo num espelho de 2,0x1,5m. De todo o modo, o resultado eh impressionante, o corpo reage imediatamente e a musculatura fica espertissima. Agora o desafio eh levar a cama elastica para os shows.

...

Quem estava na saida da minha aula, hoje, era a Kerry Butler*. Apertei a mao dela, dei beijinho e tudo. How about that?



*Ok, ok: Kerry Butler, atual estrela de Xanadu, tambem estrelou A Bela e a Fera e A Pequena Loja dos Horrores, tudo na Broadway.

Escrito por Anna T. às 21h42
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I'M NOT THERE

Filme-delirio do Todd Haynes baseado "nas muitas vidas" (e possibilidades) de Bob Dylan. A premissa, na verdade, eh muito boa! (Eu ia falar que a premissa era instigante, mas ai fui automaticamente gongada pelo meu detector de lugares-comuns) E o diretor/escritor escolheu o "tema" Bob Dylan amparado num material rico: reportagens, entrevistas e biografias que apresentavam as faces controversas do artista. Mas a ideia se aplica lindamente a qualquer vida de qualquer pessoa que ja mudou de ideia, pulou de um barco, enfim, qualquer pessoa viva.

O que me faz lembrar de outra coisa muito interessante, que li hoje mesmo: Steve Martin acabou de lancar sua autobiografia chamada Born Standing Up. Na verdade, eh a narrativa de um periodo especifico da sua vida - os anos em que Martin fez stand-up comedy. Ele conta que fez stand-up comedy por 18 anos. Dez anos, ele passou aprendendo; quatro, aperfeicoando; e os ultimos quatro foram os anos de sucesso. Ha vinte anos ele abandonou a atividade e nunca mais voltou a se apresentar como comediante-solo em clubes. E agora, ele diz, o seu livro recem-escrito eh antes uma biografia do que uma autobiografia, pois ele se sente contando a historia de uma outra pessoa.

Voltando a I'm Not There, agora: imagino que Bob Dylan seja uma figura mitica dentro da cultura norte-americana, ele personificou uma serie de icones pop na hora em que eles eram necessarios, praticamente um genio do timing - ou zeitgeist, pra ser mais correta: o folk-singer ingenuo, o cantor de protesto, o superstar da contra-cultura, o poeta beatnik, o lone ranger. O filme vale-se de seis atores diferentes e de uma serie de elipses para imaginar como seriam as vidas de todos estes personagens lancados ao vento por Dylan.
Eh um filme belissimo, a fotografia eh um poema, os atores sao todos excelentes - especialmente Heath Ledger e Cate Blanchett, mas tambem tem o Christian Bale, que simplesmente eh o Bob Dylan... Bom. Faco uma ressalava ao roteiro, porem, que apresenta as versoes possiveis de Dylan, mostrando-o em todas as versoes um grande poeta, um genio, um visionario, mas em todas, tambem, um incrivel babaca arrogante que tem preguica de falar com as pessoas (menos o dylan versao crianca, que eh um cara legal). Eh como se, ao tornar a genialidade um fato consumado, o roteiro acabasse por diminuir o seu valor. Sei la. Entende?





Escrito por Anna T. às 01h49
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ULTIMAS NOTICIAS SOBRE A GREVE NA BROADWAY

A greve dura duas semanas, agora (Marcel ficou chocado ao saber que o TKTS estah fechado. Pois eh...). Hoje teve mais uma negociacao, nao assisti TV para saber se chegaram a um acordo, mas hoje conversei com um piqueteiro/grevista na frente do New Century Theatre e ele me explicou que, se hoje os produtores entrassem em acordo com os tecnicos, na terca os atores seriam reconvocados, haveria ensaios e as pecas reestreariam entre quinta e sexta desta semana.

O sensacional eh a historia do Grinch, que entrou em cartaz por liminar. O show How the Grinch Stole Christmas eh uma tradicao de Natal e teria que estrear agora, no meio de novembro, e ficar em cartaz ateh o dia 6 de janeiro, etc, etc. Eh tao tradicional quanto o Radio City Christmas Spetacular (que esta rolando normalmente, porque eh uma producao regulamentada por outro sindicato), mas estava cancelado, por passar "na Broadway", ou seja, o show acontece num teatro do mainstream e obedece as normas do sindicato da Broadway (Stage One). A choradeira foi inacreditavel, a tv mostrava cenas de familias chorando na frente da bilheteria fechada - "nos viemos do texas para assistir o Grinch no feriado [do thanksgiving]!" - os jornais chamavam este natal de "The Christmas Fiasco" e "How Stage One Stole the Grinch"...

Ate que a prefeitura entrou com um recurso - sei la em que termos - para o Stage One (o sindicato da broadway) liberar o Grinch para apresentacao. Uma brigaiada, mas levou. O Grinch reestreou ontem, com criancinhas chorando (de alegria) e maes felizes, dizendo god bless america & merry christmas everybody para as cameras de teve.

Escrito por Anna T. às 02h58
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NEWS UPDATE

I can see clearly now that I cannot see a thing

Assisti No Country for Old Men, o filme novo dos irmaos Cohen. Tava indo muito bem, muito bem mesmo, ateh que eu nao entendi mais nada. Foi como se de repente o Ethan e o Joel Cohen tivessem se transformado no David Lynch. Sai do cinema frustradissima. Pela reacao geral da plateia, nao fui a unica, mas nao diminuiu a sensacao de que a falha era minha. Vou ter que assistir de novo, com legenda. Bolas. Ainda assim, o Javier Bardem estah magnifico. Redimiu-se daquele erro que eh O Amor nos Tempos do Colera, aquele filme eh uma vergonha.

I can see clearly now

Show da Ute Lemper, no Joe's Pub. Deslumbrante e epifanico. Sem mais palavras.

On a clear day (you can see forever)

Os dias tem sido bonitos. Ontem fui descendo pelo rio Hudson ate o Battery Park, na ponta da ilha (de onde saem os barcos para a Ellis Island, que abriga a Estatua da Liberdade). Albatrozes simpaticissimos faziam um show de revoadas e pousos enquanto o sol se punha, as quatro da tarde.

Hoje desci pela Madison Ave, contornando o centro pelo leste, ateh a rua 9. Almocei num restaurante espanhol ba-ra-tis-si-mo chamado La Paella (muito original, tambem), que serve uma refeicao eloquente - couvert de paes, sopa, salada, prato principal (paella), sobremesa (sorvete) e cafe expresso - por um preco fixo de 12 dolares e 95 cents. Anota, que vale a pena: fica na 214East 9th street, perto da 3rd avenue. Muito simpatico. Passei o resto da tarde no East Village e no Lower East, andei pelo soHo, comprei dois chaveiros na Pylones e uns discos de musica esquisita na Etherea, subi ate Chelsea (meu xodozinho), parei no mercadinho da rua 49, comprei uma salada e voltei para casa.



Escrito por Anna T. às 02h33
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