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O RETORNO DE JEI-DAI!!!
Sim!
Fui a Boston e passei o dia com minha amiga Jui-Lin Chung, a.k.a. Jei-Dai, minha roomate na Berklee. Fomos roomates em 2004 e, de la para ca, ela voltou para Taiwan, casou, engravidou, decidiu que queria voltar para Boston, teve uma filha - linda! - chamada Samantha e estah se formando na Berklee na proxima semana. Ativa, a menina.
Nosso almoco - no Top of the Hub, restaurante/mirante no ultimo andar do Prudential Center, que eh o predio mais alto de Boston - durou exatas tres horas, porque simplesmente nao comiamos, so conversavamos. Jui-Lin mandou reaquecer seu prato duas vezes. Engracadissimo. Os garcons borboleteavam ao nosso redor, sem saber o que fazer conosco.
Bom, enfim, em aproximadamente 30 segundos nos haviamos retomado a nossa dinamica de "ela fala, eu rio/ eu falo, ela ri e olha no dicionario". O ingles da Jei-Dai melhorou muitissimo nos ultimos dois anos, devo ressalvar. Mas voce pode tirar uma pessoa de taiwan, mas nao tira taiwan da pessoa.
DE PORQUE JEI-DAI DECIDIU VOLTAR PARA A BERKLEE
Depois do curso de verao, em 2004, ela voltou para Taiwan cheia de ideas novas sobre como tocar, como distribuir as notas nos acordes, como funcionava a harmonia no jazz, estas coisas. Ai ela chegou para o seu professor, em Taiwan, e perguntou: "Como eu faco para usar a 13a. como tensao no acorde dominante?" Ao que ele respondeu: "Voce vai precisar de muito dinheiro".
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DE COMO FOI A NEGOCIACAO PARA A MUDANCA
"Bem", ela pensou, "se eu vou gastar uma grana preta em aula particular, eu prefiro ir estudar em Boston"
Soh que a esta altura, a Jei-Dai tinha se casado! E estava gravida! Alem de negociar com a familia, audicionar para uma bolsa de estudos e conseguir um emprestimo para vir estudar, ela precisou convencer o novo marido que precisava morar em outro pais por, pelo menos, dois anos. - Um ano -ele disse. - Dois - ela explicou - eu preciso de pelo menos quatro semestres. - Um ano e eu vou ficar com voce. - Dois anos - ela insistiu. - Um ano e meio - ele cedeu. - Voce cuida do nenem no ultimo semestre. - Feito.
Jei-Dai voltou para Boston aos cinco meses de gravidez, em julho de 2006. Fez o primeiro semestre inteiro no verao, num curso intensivo, e escolheu uma major com menos creditos, para poder completar tudo em 18 meses. A Samantha nasceu, ela continuou estudando. Em setembro passado, o marido cumpriu o acordo e voltou para Taiwan com a nenem, para que a Jei-Dai pudesse se formar. Ela me mostrou a grade de materias, eh uma coisa insana. Ela disse "nao tenho tempo de me sentir sozinha".
BEING JEI-DAI
- Anna, I hab a question. - Shoot. - What? Why? - Never mind. What question? - Dat black girl singer. Beyonce. - Yes? - Why they call her beyonce? She is never married? - Whoa whoa whoa. Come again? - Why she is always beyonce, never a bride? - What? Who? - When she is married she will change name to Wife? - ... omigod...No! No! Her name is BEYONCE, not FIANCEE! - Not the same thing? - No! - Oh. I thought it was strange.
BEING JEI-DAI - part two
- Anna, help me. What does the lyrics for The Shepherdesses say? - Wow. Which song is that? - A brazilian one. I love it. - What is the name, again? - The Shepherdesses. - Wait... The Shep.. AS PASTORINHAS?! You know As Pastorinhas? - Is the same one? (ela cantarola "As Pastorinhas", de Joao de Barro) I just love this song! What does it say?
Corta para 20 minutos depois: eu ainda tentando explicar o que eh "a estrela d'alva". Jei-Dai olha no seu dicionario eletronico e me explica, com toda a paciencia, que a Estrela d'Alva, na verdade, eh um planeta - Venus - e que eu devia saber disto.
Corta para 30 minutos depois: consegui explicar - eu acho - a primeira parte da musica (ate "lindos versos de amor"). Jei-Dai pergunta "e quando a musica modula para o modo maior, o que diz a letra?" E eu:"ah, diz, eu te amo, voce nao me ama, pronto" E ela: "ok".
BEING JEI-DAI - part three
Vamos tirar fotos juntas!
Jei-Dai abre a sua bolsa e tira uma maquina digital quadradona e desajeitada, que esta com o flash e o visor estragados.
- Eh da minha mae - ela explica - eu peguei emprestado. - Pelamor de deus, compra uma maquina nova. Ela me olha com indisfarcavel pena da minha ignorancia: - Por que eu compraria uma maquina nova aqui? Vou comprar nos Estados Unidos uma coisa feita em Taiwan?! - Eh mesmo, ne? - eu digo. Ela sorri: - Eu sei...
Escrito por Anna T. às 04h27
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NOTAS RAPIDAS SOBRE A THANKSGIVING PARADE
O balao do Snoopy foi o mais aplaudido.
A coisa mais bizarra que eu presenciei - e olhe que... - foi um M&M verde fantasiado de Elphaba*
Eh hilario ver as bandas pop se autodublando - e tendo o proprio numero interrompido depois de 1'30"s.
O Menudo ainda existe.
Cheerleaders sao o equivalente norte-americano para as nossas passistas. Imagino que a cheerleader que eh jogada para o alto e que vai na frente seja a madrinha da bateria.
Sarah Brightman pendurada num mastro, vestida de Rainha Pirata, e dublando os proprios vocais com lots of reverbe... Bem, ela eh especialista em dublagem, afinal. Qual o problema?
* Elphaba eh a bruxa verde ma, do musical Wicked.
Escrito por Anna T. às 17h19
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DEUS NOS ACUDA
Santo Deus. Eu nao fazia ideia.
Amanha (dia 22, quinta) eh Thanksgiving, a cidade soh fala nisto, fecharam a Central Park West para a parada, os restaurantes e os mercadinhos oferecem perus com recheio, sem recheio, soh o recheio sem o peru, perus assados, sem assar, a ceia completa com pratos de papelao e talheres de plastico, enfim, o que voce quiser. Eu achava que ficava nisto. Nananina.
Sexta feira, comeca a Maratona de Compras Pos-Thanksgiving. Isto mesmo. Chama assim: After-Thanksgivng Shopping Marathon. Dura de um a dois dias, depedendo da loja, mas todas as grandes lojas da cidade participam da promocao. Eh assim: durante estes dois dias, as lojas vendem tudo com desconto a partir de 30% e eh acumulativo, quanto mais compras, mais desconto. As lojas abrem na madrugada de sexta feira e ficam abertas, viradas, ateh a manha de domingo. A Macy's, por exemplo, vai abrir as duas da manha de sexta. A H&M (que eh a C&A daqui) tambem. Pelo que entendi, as pessoas passam o dia do Thanksgiving comendo e descansando, e a noite vao pra porta da loja e passam 24h comprando. Quem chega mais cedo pega os melhores produtos.
O jornal (da teve) dava as dicas para os maratonistas - nao leve seu carro para nao perder tempo estacionando, peca para alguem te buscar; se o provador das mulheres estiver cheio, use o dos homens; prefira lojas com vendedores comissionados, para nao entrar na fila do caixa; etc.
O que eu vou fazer na Shopping Marathon? Vou pegar um trem e ir pra Boston. Santo Deus.
Escrito por Anna T. às 03h36
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BRIAN SETZER's CHRISTMAS EXTRAVAGANZA
Sim, este era o nome do show que fui assistir hoje, no Beacon Theatre, no Upper West Side. Normalmente eu fujo de qualquer coisa que tenha no titulo a palavra Christmas e/ou Extavaganza. Mas antes vinha o nome do Brian Setzer, o feliz proprietario de uma das big bands mais legais e atuantes dos nossos tempos. Ai, eh claro, sabendo que seria na vespera de Thanksgiving - e jah tendo entendido que o thanksgiving abre a temporada oficial de cancoes de natal - eu fui preparada para ouvir Jingle Bells e Santa Claus Is Coming to Town e todas estas cancoes simpaticas que tocam ininterruptamente pelas ruas e lojas de agora ateh o dia 6 de janeiro (meu Deus, honestamente, eu nao entendo como eles aguentam, eh um massacre!).
Bom, voltando ao Show de Natal do Brian Setzer. O Beacon Theatre eh muito bonito, eh um teatro muito grande, com balcoes, camarotes dourados, cortinas de veludo vermelho e com um lindo arco dourado destacando a boca de cena. O publico tinha mais ou menos a minha idade, a galerinha que ouvia rockabilly na mtv, na epoca dos StrayCats - e quando a MTV passava clipes. Mas tinha um pessoal de uns vinte anos, tambem, que deve ter descoberto o Brian Setzer no You Tube e que conhecia as musicas.
Teve um show de abertura de uma banda inglesa de rockabilly chamada The Detonators. O nome eh miseravel, mas eles eram bem bons, faziam uns covers de Roy Orbison e outras coisinhas mais rock'n'roll.
Ai chegou o Brian Setzer e sua Orchestra. Guitarra (ele mesmo), baixo, bateria, duas otimas vocalistas, quatro trombones, quatro trumpetes e cinco saxofones. Uma barulheira maravilhosa. O show foi bem satisfatorio. Ele cantou as cancoes de natal que estavam no programa - e nem doeu - e lascou mais uma hora e meia de sucessos muito dancantes. Teve ateh um momento Straycats, em que ele dispensou a banda e ficou soh com o baterista e o baixista - enlouquecidos, pulando e gritando enquanto tocavam, uma delicia. Minha unica tristeza foi que ele nao tocou a musica que eu mais esperava, que eh o "Tu Vuo Fa l' Americano".
Sugiro veementemente, para os que nunca ouviram, ir para o you tube neste momento e procurar: "brian setzer". Vale bem a pena.
Escrito por Anna T. às 03h14
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TROQUE SEU CACHORRO...
Deus me perdoe o cinismo. Mas nao da pra deixar de notar que a moda agora eh crianca chinesa. Voce anda pela 5a avenida, pela Lexington, pelo Upper East Side, e ve as endinheiradas levando uma ou duas criancinhas chinesas pela mao, muito bem-vestidas e cuidadas, em geral com idade entre 4 e 8. Curiosamente, tambem, as mulheres tem, em geral, entre 40 e 50 anos, e nunca ha um homem junto no passeio. No maximo, uma baba - latina.
No Village, onde a populacao eh mais jovem e menos rica, os cachorros ainda predominam.
Escrito por Anna T. às 18h45
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).
Escrito por Anna T. às 18h22
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Seurat no MoMa
Ha uma exibicao dos desenhos de Georges Seurat no MoMa, no 6 andar. Eh esclarecedora e comovente. Atraves dos desenhos (feitos em crayon conte preto sobre papel muito poroso) tem-se um vislumbre de como Seurat chegou no pontilhismo, pois ele usava a textura e a granulacao do papel como suporte expressivo - o crayon era muito versatil e se moldava, encaixava nas ranhuras do papel, acabava obtendo movimento e profundidade pelo uso (involuntario?) da granulacao.
Seurat morreu com 31 anos, mas seus estudos obsessivos - primeiro copiando os mestres, depois o estudando o uso da granulacao como movimento e forma de expressao, depois as cores para reproduzir o "halo" dos objetos - revelam que ele passou os seus poucos anos de vida enfronhado na busca da midia perfeita (e aqui, midia quer dizer suporte e meio de expressao). Na ultima sala, estao alguns dos quadros a oleo, junto dos estudos que os originaram. E descobrimos que ele fazia uma pintura a oleo, penteava a tela molhada (!!!) e pintava de novo por cima, para a tinta penetrar nas ranhuras e fixar mais intensamente em alguns pontos.
Eh muito impressionante, muito comovente.
Escrito por Anna T. às 18h10
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YOUNG FRANKENSTEIN
Eh o novo musical escrito-produzido pelo Mel Brooks- que estah com 81 anos, se nao me engano, e feliz quenem um pato n'agua. A producao eh um assombro, cada vez mais as producoes da Broadway se aproximam do que eu imagino ser DisneyWorld (nunca fui, pois eh...). Uma quantidade indecente de cenarios maravilhosos, efeitos especiais ainda mais inacreditaveis, chega a ser ostensivo. O elenco mais dos mais estelares que jah presenciei - Roger Bart, Megan Mullally, Sutton Foster, Andrea Martin, Fred Applegate, uma loucura, a peca parava sempre que um deles entrava em cena, por causa dos aplausos.
Isto posto, a peca eh engracadissima, eu gargalhava alto, e os numeros musicais sao muito poderosos. Se for para dizer alguma coisa, eu acho que o primeiro ato tem cancoes demais, mas, por outro lado, eh tudo muito divertido, seria uma pena cortar qualquer numero. Voce fala: "meu deus, vao cantar de novo?"e em seguida jah esta gargalhando com a musica. Nao ha nenhuma prtensao de se fazer musica memoravel, ali, ainda que haja algumas ("Transylvania Mania", por exemplo, e "Deep Love"). E o momento mais aguardado (para os fas do filme original, pelo menos), que eh "Puttin on the Ritz", supera as expectativas.
SOBRE A GREVE DOS TECNICOS
Nao acabou. A Broadway estah com 10% dos shows em cartaz, o resto foi cancelado. A estimativa eh que a cidade perca 17 milhoes por dia com a greve dos tecnicos. Os atores nao podem viajar: como eles nao estao em greve, tem que ir ao teatro, assinar o ponto e voltar pra casa. Alguns, jah que estao ali, aproveitam para fazer piquete na frente do teatro, junto com os tecnicos.
Os roteiristas de Hollywood tambem estao em greve, todo mundo sabe. Os talk-shows estao sendo obrigados a reprisar episodios, pois os apresentadores nao podem apresentar material novo (ou seja, falar sobre as atualidades), a menos que eles mesmos escrevam. Mas, se eles escrevem, sao escritores - e se sao escritores, estao furando a greve. Entendeu a situacao bizarra?
Meu amigo Roberto, que eh dublador, falou que no Brasil a greve jah afetou o trabalho dele, pois pararam de chegar episodios novos para dublar. E nao ha prazo para acabar a greve, nem em hollywood, nem na broadway.
Escrito por Anna T. às 03h44
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BRYANT PARK
Feirinha de Natal no Bryant Park. Um monte de barraquinhas ocupando o que, para mim, parece mais uma praca gigante, na 5a avenida com a rua 42 (mas chamam de parque, tem ate um laguinho no meio). Ah, vamo ai, barraquinha eh comigo mesma. Meu, que loucura! Sao produtos e pessoas de todos os lugares - o que eu esperava? - velas francesas, sabao do mediterraneo, roupas de bangkoc, bijoux italianas... aaaaaa!!! E tudo com a maior cara de quermesse. Ao lado das barracas, carrinhos vendem macas carameladas e pipoca. E cidra quente.
NUMYi
Conheci uma artista plastica sul-coreana, hoje, chamada Numyi. Eu estava visitando a galeria e ela estava encostada ao lado de um dos seus quadros. Me perguntou o que eu achava, eu falei, comecamos a conversar e ficamos amigas de infancia em dez minutos. Ela ganhou uma bolsa de uma fundacao americana para vir pintar aqui, depois ganhou outra para ser "artista residente" de uma galeria e estava com uma exposicao numa pequena galeria na rua 45, na muvuca de Midtown. Ela me mostrou o seu album, com suas producoes - um ano, soh preto-e-branco, dois anos depois, apenas cores cristalinas, e agora, o motivo era "sobreviventes", com imagens muito poderosas em tinta acrilica. Ela estava feliz, mas, dizia: "tenho muito caminho a percorrer, vim de muito longe, mas tenho que andar muito mais". Foi um encontro bom.
Escrito por Anna T. às 03h21
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WAIT A MINUTE
O Museu de Historia Natural esta com uma exposicao nova: Dragoes, Unicornios e Sereias.
Aham.
Deixa ver se eu entendi. O Museu de Historia Natural eh aquele que tem os dinossauros. E os planetas. E os elefantes empalhados. E agora tem Dragoes, Unicornios e Sereias? Mas...
Ta, ta, nao eh que eu queira ser chata. Nem estraga-prazeres. Nem sou detalhista, nao. Eh soh que...
DRAGOES NAO EXISTEM!!! NEM UNICORNIOS!!! NEM SEREIAS!!! Pronto. Falei. Desculpa se ofendi alguem.
Escrito por Anna T. às 03h14
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PYGMALION
Vi hoje a montagem do Roundabout Theatre da peca Pygmalion, com a Claire Danes fazendo Eliza Doolittle e Jefferson Mays fazendo o Professor Higgins. Claro, eu tinha um interesse especial na peca, pois acabo de vir de uma temporada de My Fair Lady, o musical inspirado na peca Pygmaliao, de Bernard Shaw. Jah tinha lido o texto, no saudoso grupo de leitura das segundas-feiras, ha tres ou quatro anos atras, mais ou menos. Mas me surpreendi ao perceber que nao havia uma so palavra do musical que nao estivesse presente na peca. A peca, claro, tem mais palavras. E termina diferente, de modo ainda mais intrigante. Uma joia de texto.
E agora, a parte melhor: a montagem eh primorosa. O elenco eh precioso, um elenco maduro, cheiio de sumo, cheio de cores e texturas, o elenco eh tao rico quanto o texto que tem nas maos. Claire Danes eh uma maravilha. Dificil acreditar que eh sua estreia no teatro. Ela domina o palco, a cena, tem uma presenca gigantesca, os gestos necessarios, uma leitura surpreendente e muito realista da personagem. Jefferson Mays eh um Higgins completamente diferente do que ja foi feito, um adulto mimado, praticamente um gay enrustido, apaixonado pela mae, com verdadeiro pavor de relacoes pessoais que envolvam alguma igualdade e troca. Uma opcao corajosa, jah que sempre que nos deparamos com o texto de Shaw, esta intencao aparece, mas sempre eh cuidadosamente minimizada pelos diretores.
A encenacao eh deslumbrante, de um realismo que chega a ser humilhante - chove de verdade, na primeira cena no Covent Garden, por exemplo. O engenho das trocas de cenario eh poetico - eles montaram quadros moveis, como caixas abertas, com o escritorio, a casa da mae de Higgins, que se alternam (por automacao, imagino) e se sobrepoe, como um efeito de fusao de imagens cinematografico. Nao consegui explicar, mas eh um assombro de lindo e parece simples.
Sai de lah tao feliz.
Escrito por Anna T. às 03h05
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RUSSIAN TEA ROOM
Experiencia do tipo "faca uma vez na vida".
Escolha um dia de semana, durante o dia, porque de segunda a sexta ha um almoco executivo, com preco fixo. Nao eh barato, mas eh possivel. Va com um amigo, de preferencia. Voce vai precisar de alguem para olhar os quadros junto com voce e perguntar "aquilo eh um kandinski de verdade? e aquilo na sua cabeca, eh um chagall?". Principalmente, voce vai precisar de alguem com quem enlouquecer, pedir uma vodca russa, olhar o cardapio a la carte e dar risada do preco do caviar. Depois, cada um pede um prato do menu "express" (leia-se: para curiosos e nao-endinheirados) e um experimenta o prato do outro.
Nao peca agua. Vao servir agua mineral e cobrar 8 dolares a garrafa. Eu sei, eu fiz isto. Nao peca cafe. Vao servir uma xicara gigante de cafe aguado e cobrar oito dolares o bule. Eu sei, eu fiz isto.
Ressalvas feitas, o Russian Tea Room eh uma viagem a ser feita uma vez na vida.
Escrito por Anna T. às 02h46
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SO THIS IS CHRISTMAS
Entendi, entao.
Esta semana inauguram-se as decoracoes de Natal na cidade. Anoitece muito cedo, entao as luzes e as estrelas gigantes realmente compoem um efeito dramatico. De uma hora para a outra, entram em cena The Holidays - comecando com o mais considerado, o mais ecumenico, que eh o Thanksgiving. Quinta feira vai ter uma parada gigante pela rua, e, como no carnaval, as ruas por onde passa a parada estao com arquibancadas montadas e o trafego serah desviado. No metro ha mapas das estacoes que fecham e por ai vai. Nem no Natal ha tamanha comocao.
O Starbucks comeca a vender os Christmas Specials, que sao o Eggnog Latte e o Cinnamon Mocacchino, alem do Chocolate Quente especial de Natal e dos biscoitos de gengibre.
Andando pela rua eh que entendi. O Natal que conhecemos foi inventado aqui. Eh tao obvio, mas eh isto. Todo mundo sabe que o Papai Noel foi uma "sugestao" de marketing da Coca Cola. E que o vermelho e o branco sao as cores da bebida, incorporadas como cores do Natal. Mas a ficha caiu bonito, andando pela rua e vendo o Natal sendo reencenado, remontado, como um espetaculo anual, bem diante dos meus olhos.
E eh lindo, devo admitir, com toda a ingenuidade.
Escrito por Anna T. às 02h37
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FUSADA E APAIXONADA
Mas ateh que eh bom. Durmo cedo e acordo cedo, com este fuso horario mal-ajustado. Hoje, por exemplo - domingo, dia 18 - fui aa opera de tarde, fui ao cinema (Bee Movie, divertido) e cheguei em casa antes das 8p.m. Daqui a pouco vou dormir.
Gosto de passear pela cidade de manha, de ir comprar bagels na 46, pegar um cafe e voltar para casa para comer o bagel assistindo teve.
Minha sensacao as vezes eh a mesma de um amante apaixonado, que vive longe da amada e que soh pode encontra-la por alguns instantes. Estou falando serio. Sinto, andando pela rua, uma mistura de euforia e tristeza - por estar aqui e por nao poder estar para sempre. Mas, se for para ir fundo, a vida eh isto, nao?
Escrito por Anna T. às 00h27
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HARLEM?
Minha amiga Angelica de la Riva ia cantar num concerto, numa igreja no Harlem, ontem aa noite. Me ligou avisando que tinha deixado um convite para mim, na bilheteria (era uma Igreja Presbiteriana, eh claro que podia ter uma bilheteria). Como o concerto era as 7p.m. e estah escurecendo as 5p.m., fiquei um pouco apreensiva. Por outro lado, ara, jah estou aqui e nunca fui ao Harlem. Vamo ai.
Sai do metro na altura da rua 114, olhei em volta. Tudo bonito, iluminado, cheio de cafes, livrarias, restaurantes charmosinhos, starbucks (se um neighbourghood nao tem starbucks, pode ficar preocupado, aquele eh um lugar ermo, turvo, sombrio e sem-lei). Caminhei devagar, olhando ao redor: carros legais, onibus novos, tudo bacaninha. Puxa. Tanta adrenalina para nada?
A Angelica depois me disse que onde ela mora (que eh mais para cima, depois da rua 145) a coisa pega um pouco mais. Mas ela estah a duas paradas de metro de Midtown.
O bom, velho e reliable Ollie's
Da ultima vez que encontrei a Angelica, era aniversario dela e nos fomos ao Ollie's, festejar com uma "little bit of everything soup" ao assombroso preco de 3 US$ o pote de sopa. Ontem, saimos para comemorar o seu concerto - ela, o seu namorado Grant, um cantor chamado Rufus e eu - e fomos... ao Ollie's! Ali no Harlem, mesmo, a duas quadras da igreja. Foi legal.
Escrito por Anna T. às 00h14
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too much information
Uma leve exaustao. I wonder why.
CENDRILLON
Hoje, domingo, 18, fui ao New York City Opera, assistir Cendrillon (Cinderela), de Jules Massenet. Sessao da uma da tarde, providencial para um domingo de tempo manhoso (chove-nao-molha-mas-venta). Nao eh, definitivamente, uma das obras mais conhecidas de Massenet, e indo a opera entendi porque. Eh muito chato. A encenacao se esmera em ser divertidissima, com um cenario espetacular, cores estouradas e uma direcao no tom de slapstick comedy, mas a musica eh uma das coisas mais esqueciveis que jah ouvi. Quase dormi. Sahi no terceiro ato (sao quatro) e fui aproveitar o restinho de luz solar na rua ventosa.
BABEL
Ninguem fala ingles!!! Todo mundo fala ingles!!! Mas ninguem eh daqui. Ou seja, todo mundo fala um ingles esquisito, cada um do seu jeito.
QUEM TEM TUDO NAO TEM NADA
Este ditado se aplica absolutamente aa teve a cabo nos Estados Unidos. Chega a dar aflicao. Nao estou mentindo, a numeracao dos canais vai ateh 1064. Mil e sessenta e quatro. Como eh possivel um ser humano escolher entre mil e sessenta e quatro opcoes de lazer que ele pode desfrutar num mesmo minuto? Isto sem contar as opcoes da teve desligada?! Eh angustiante. Angustiante.
Depois de tres dias olhando o controle remoto de esgueio,hoje pela manha liguei a teve e passei uns 30 minutos mudando de canal. Angustiante, jah disse. Ai coloquei numa reprise de um fime do Mel Brooks e fui fazer o cafe.
GO FIGURE
Ontem passeava pela rua com meu amigo Alex e resolvemos que queriamos um cafe. Tivemos a mesma ideia: "serah que a Godiva serve cafe?" Afinal, se na Kopenhagen tem cafe, por que nao teria na Godiva? Nossa logica fazia sentido, afinal, numa chocolatier que vende doces a precos de joias, as pessoas tem que ter alguma motivacao para entrar. E, verdade, havia um cartaz na porta anunciando "hot cocoa, cafe and biscuits". Entrei e fui no balconista: - Oi, quanto eh o cafe, por favor? - Sinto muito, nao vendemos cafe. - Uai, e aquele cartaz ali na porta? - Nos apenas servimos cafe de graca. - Ah. Entendi. Entao me da dois. - Pois nao. A senhora gostaria de uma amostra de biscoitos de chocolate para acompanhar? - Por que nao? - Temos creme e acucar no balcao, se desejar. - ah. Obrigada.
O que dizer? O que dizer?
TEMA PARA UM MONOLOGO TEATRAL
Todos os meus amigos estao de dieta.
Isto eh dramatico! O Alex, que sempre foi o maior garfo, mal conseguiu terminar o prato indiano - estah tomando um moderador de apetite. E ainda me cedeu o seu biscoitinho da Godiva!!! A Angelica, que encontrei ontem - jah entro em detalhes - estah numa dieta fun-free: lactose-free, gluten-free, sugar-free, dairy-free, yeast-free. Putaqueopariu. Saimos ontem aa noite para comer e ela pediu um prato de arroz!!! E ainda levou o resto para viagem, porque nao comeu tudo!!! Assim nao dah!!! O Guto e o Oliver eu nem conto mais, que da ultima vez eu trouxe para cada um deles um moranguinho coberto - da Godiva - e o moranguinho fez agua na geladeira, porque eles nao comem acucar.
Sou uma aberracao solitaria, mastigando meu MilkyWay pelas ruas chuvosas de Mannhatan.
Escrito por Anna T. às 23h58
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