A viagem estah no fim. Hoje volto para SP. Esta chovendo e deve fazer uns 14 graus, hoje, nao menos que isto.
MAIS RAPIDO ainda!
Chorus Line, na Broadway. Uma coisa. Terminei o espetaculo aos prantos, as lagrimas pulando pra longe dos olhos. O publico parou o show umas duas vezes pra aplaudir. Lindo, bem feito, emocionante, honesto, elenco talentosissimo. Uma alegria.
Global Warming
...comecando por aqui. Que inverno eh este? Estou no cyber - com a porta da rua aberta - de camiseta. Nem saih de casaco, hoje.
Meus pes se acostumaram...
e pararam de doer. Soh agora. Bem agora, que jah estou voltando a SP e ao transito. Nho.
Escrito por Anna T. às 14h25
[]
[envie esta mensagem]

RAPIDO, RAPIDO
Show da banda Sultans of Swing, no Birdland, featuring Jon Hendricks, the one and only. Adoraria dizer que foi sensacional, a melhor coisa, etc, etc, mas foi um show de branco pra turista japones. O Jon Hendricks eh o cara, mas ele estava completamente sem saco, cantou Gimme That Wine e Cloudburst, que eh exatamente o que se espera dele, e foi embora. O show continuou com um crooner caretao, depois uma mina - acho que Aria Hendricks, filha do Jon, muito boa - mas o som nao podia ser mais pra turista. Chato, chato, chato. Uma tristeza.
Tea Lounge, no Brooklyn, foi a surpresa da viagem. Fica na estacao 7th Ave., no Brooklyn, onde tem a maior concentracao de restaurantinhos, bares, boates, tudo muito gostoso e bem mais tranquilo (e barato!!! uma taca de vinho australiano custava 6.50!). O Tea Lounge, especialmente, eh charmosissimo! Tem cafe, comidinhas, bebidas, muitos sofas, mesas, poltronas, mesas de jogos (pac-man e space invaders!) e gente tocando. Tinha uma banda muito boa, ontem, na onde Medeski, Martin & Woods, muito legal.
O Chelsea Market eh uma delicia!!! A comida eh feita na hora, na nossa frente, e custa - tipo - a metade do preco de um restaurante. E da pra comer no parque do rio Hudson, sentadinha nos banquinhos, olhando o rio... (aproveitando o inverno mais quente que eu ja presenciei)
Escrito por Anna T. às 14h34
[]
[envie esta mensagem]

ONCE IS NOT ENOUGH
another nod para a minha amiga Bianca, que me mandou conhecer o hotel Hudson, "nem que fosse para tomar um drinque". Pois fui, justamente soh para tomar um drinque - um persephone, pra ser mais exata. Fiquei no bar mais moderninho, com o meu amigo Guto e o Marcel, com os bancos e mesas transparentes e o dj maluco.
Depois o Guto nos levou pra ver o bar biblioteca e eu tive vontade de chorar. Ou de voltar mais cinco vezes.
Escrito por Anna T. às 14h45
[]
[envie esta mensagem]

MEATPACKING, OU FANTASIES COME TRUE
Quando era pequena, eu tinha o mesmo sonho, mesmo acordada: que eu tinha uma casa muito velha, muito feia, de madeira caindo aos pedacos. Mas, ao entrar, ela se revelava um palacio, com saloes subterraneos, esteiras rolantes, salas iluminadas cheias de jogos e brinquedos. Os saloes, os jogos e as cores variavam de acordo com o tempo que eu dispunha para pensar neles (normalmente, eu pensava nisto quando voltava da escola, dentro do onibus). E so os meus verdadeiros amigos, que quisessem entrar na minha casa velha, teriam acesso ao maravilhoso mundo subterraneo de jogos e brinquedos. Analisem como quiserem.
Pois eu lembrei deste sonho de infancia passeando no meatpacking district, ontem a tarde:aa primeira vista, eh uma regiao sordida, de velhos galpoes, o velho mercado de carne ainda impregnando as calcadas de lixo, cacambas de detritos por todos os lugares, fachadas destruidas, sem pintura, as ruas de pavimentacao antiga, com grandes pedras escuras irregulares.
E ahi voce olha de perto. O que se revela no interior destes predios velhos e despintados? Galerias de arte, studios de designers, estudios e ateliers de moda, lojas de criadores contemporaneos (Stella McCartney, Diane von Furstenberg, Alexander McQueen, diz ai), as lojas mais hype, restaurantes liiiiiindos dentro de antigas lojas de ferragens ou o que devia ser um armazem de graos.
E ahi parece que soh voce estah vendo aquilo. Que voce eh especial porque soh voce olhou ali dentro e descobriu aquele lugar.
O fato de nao estar lotado de turistas ajuda. Na verdade, ontem estava muito tranquilo, aparentemente havia soh os transeuntes habituais do bairro e os japoneses descolados. Anyway. Lugar bacana.
Escrito por Anna T. às 14h40
[]
[envie esta mensagem]

KATZ
nem falei no katz. Volta e meia a gente acaba caindo la. Eh uma deli (muito tradicional) no Lower East Side, famosa pelo sanduiche de pastrami e por ter sido o restaurante onde a Meg Ryan fingiu um orgasmo, no filme Harry e Sally. Pois com tanto lugar pra ir - nunca vi tanto restaurante - a gente acaba indo comer la, quase sempre. O pastrami eh campeao. Mas ha opcoes - nenhuma vegetariana, mas ha opcoes.
NEW YEAR RESOLUTIONS
ou: fiz a cama na varanda
E antes do ano-novo tive uma crisesinha de ansiedade, com direito a dor de estomago, dor de cabeca, taquicardia, todas estas viadagens. O balanco de final de ano me deixa quase tao aflita quanto uma mala a arrumar. De certa forma, eh uma arrumacao de gavetas (ou de contas).
Entrei no banho, enchi a banheira, falei pro Marcel que eu ia ficar um pouquinho quieta. Ele entendeu tudo. Colocou o John Coltrane tocando Central Park West (minha musica mais preferida), com a caixa de som dentro do banheiro. Aos poucos, foi ficando tudo mais tranquilo, ateh ficar tudo muito bem.
Sem grandes conclusoes, soh a agua quente, a musica e os cuidados me envolvendo.
Escrito por Anna T. às 13h57
[]
[envie esta mensagem]

NEW YEAR REVELATIONS
Passamos a virada do ano num comedy club - especie de boate onde se apresentam comediantes fazendo numeros de stand-up. Tava sold-out, entao colocaram-nos junto a um casal muito norte-americano - ele advogado, ela professora, ambos de Long Island. O show foi bacana (eu gosto muito de stand-up), o convite dava direito a bebida aa vontade (bebemos muita champagne) e todos os doces que pudessemos consumir, alem daqueles chapeuzinhos ridiiiiiculos que todos eles usam no ano-novo.
Um dos momentos mais divertidos, no entanto, nao veio do palco, mas da nossa propria mesa, quando, mais soltinhos, os americanos comecaram a perguntar sobre o Brasil. "O que voce faz?", ele me perguntou. "Sou atriz", respondi. "Voce nao eh a Shakira, nao, ne?" "Nao", expliquei, muito seria:"A Shakira eh colombiana". "Serio? Achei que ela fosse brasileira. Ela nao canta em espanhol?" Pois eh, pois eh. Os americanos sao iguaizinhos aos americanos.
A FLAUTA MAGICA
Como muito bem aconselhou minha amiga Bianca, fomos assistir a montagem da Flauta Magica no Met.
EH UM ESCANDALO!!!!
Meu pai me ligou hoje de manha, coitado, e ficou me ouvindo falar incessantemente sobre o quanto a montagem era boa, inteligente, esperta, criativa, brilhante, etc etc. Nao tem outra definicao: a Julie Taymor eh um genio.
Ja vi pelo menos umas vinte montagens da Flauta, sendo que participei de - pelo menos - duas. Ja vi a Flauta na Austria, aquela montagem superclassica, tradicional, supercolorida. Ja vi a Flauta espacial, com bonecos, ultraclean, a Flauta egipcia, mistica, tecnologica, mambembe... diz ahi... Pois esta montagem eh, de longe, a mais bonita, esperta, divertida e rica de significados que jah assisti. Alem dos recursos de teatro negro e de bonecos de vara (que jah vi em duas montagens no brasil, com resultados diferentes), ela usa mascaras africanas, efeitos de butoh, muitos recursos que jah apareciam na montagem do Rei Leao (da mesma Julie Taymor), mas perfeitamente integrados a esta opera. As damas sao mascaras com veus, manipuladas pelas cantoras vestidas e pintadas de negro. Os genios, quatro criancas vestidas de branco, com longas barbas brancas, que ora aparecem trepadas nos ombros de homens igualmente vestidos e pintados de negro, ora montadas num passaro gigantesco, meio pterodactilo. Uma coisa.
Ah, sim. Os cantores/atores sao muito bons. A Rainha da Noite eh um caso aa parte, soh o figurino dela dah um paragrafo. O figurino dela eh feito 50% de luz. E a performer eh um arraso. A Pamina tem uma voz muito calida, voz grande mas doce, fazia tempo que nao ouvia uma Pamina tao poderosa. Ah, chega. Foi lindo. Pronto.
Escrito por Anna T. às 13h32
[]
[envie esta mensagem]

FAST NEWS
Diane Schuur ontem aa noite, no Iridium. Tipo ela ali e eu quase no colo da loira. Banda: vibra, percussao, bateria, baixo e trumpete, alem do piano e voz da propria. Era gig, mesmo. Momento mais legal: quando ela virou pra banda e perguntou:"voces sabem spain?" e os caras se olharam tipo "olha, eu sei uns pedacos..." e ela disse "ok, vamo ai!" E atacou num puta andamento. Logo na segunda parte, meia banda foi prum lado e o resto ficou na mesma (ou: alguns foram pro B e outros repetiram o A). A Diane, impassivel, segurou firme e continuou (no A, by the way). Quando chegou na terceira parte (o C) a banda relaxou e comecou com os solos e foi tudo lindo. Muito engracado. Momento mais lindo: ela cantando "the very thought of you" sozinha, ao piano. De chorar.
Meu amigo Alex falou pra gente ir num clube/lojinha no Lower East, chamado Nu Blues. O problema eh que o tal lugar eh mais dificl de encontrar do que a barca encantada para o reino de Avalon. Todo mundo pra quem a gente perguntava dizia "eh ali, deste lado da quadra, tem uma porta com uma luz azul, uns vinte metros adiante" e a gente nao encontrava! Todo mundo mandava a gente pro mesmo lugar! E a gente nao achava o tal lugar! Acabamos desistindo, desconsolados.
St. Marks Place eh tudo! Thanks, Bibs!
Fui numa casinha de cha chamada Simpathy for the Kettle e tomei o melhor Chai Latte da cidade, no meu vasto conhecimento.
E hoje estamos soltos na cidade, sem programa, com sol e ceu azul pela frente. Feliz fim de ano a todos.
Escrito por Anna T. às 14h48
[]
[envie esta mensagem]

|