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Viagens da Anna
 


back and back again

De volta ao Brasil e de volta ao Luminária, o blog oficial em terra. Lá dá pra postar fotinha.

come with me: http://www.anna-luminaria.blogspot.com/

 

 



Escrito por Anna T. às 16h13
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AHAAHAAHAAHAHAAA.

Estou rindo por dentro. Bem la no fundo, estou gargalhando. A greve da Broadway acabou hoje. Volto hoje para o Brasil! Nao eh engracadissimo?

Escrito por Anna T. às 17h52
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THE L WORLD

Resolvi conhecer Williamsburg. Tinha ouvido falar do bairro, que era o novo "hip neighbourghood", que era o "Lower East" dos anos 00 and so on. Peguei o trem L na Union Square e desci na primeira parada do Brooklyn: Bedford Avenue. Ai sai na rua North7 e fui andando. Eh um bairro muito gostoso, mesmo. Super calminho, com enormes galpoes industriais - alguns largados, outros que foram reformados e viraram lojinhas descoladas, brechos, galerias... Tem mesmo um astral East Village, mas muito mais tranquilo, um pessoal mais sossegado, mas com a mesma vibe alternativa. Passeei por livrarias, cafes, portinhas - soh com um balcao - vendendo comida polonesa, uma loja de produtos nordicos, um restaurante/casa de cha vietnamita, muitos brechos, lojas de discos de vinil e quetais. O lugar eh tao cool, tao sossegado, que as lojas so abrem a partir das 12h. Eu cheguei la pelas 11a.m. e fiquei andando pelas ruas com a sensacao de que era feriado: as pessoas passavam calmamente de bicicleta, tinha caminhoes pela rua, um outro mundo.

Comecou a chover, eu andei ate a beira do rio, de onde dava para ver justamente o Lower East Side de Mannhattan, tirei umas fotos da "praia", com uns megapatos passeando na areia, depois entrei num cafezinho simpatico e fiquei esperando o sol voltar. E foi tudo isto. Peguei o trem e voltei pra ilha. Hoje eh dia de voltar para casa, ainda tenho que fazer a mala.

A boa noticia eh que encontrei dois dvds que meu pai queria numa lojinha de videos cult. Voce veja so.

Escrito por Anna T. às 17h46
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SMALL AND CRISPY NOTES

Para minha sorte, soh ontem descobri a chocolateria do Jacques Torres, no West Village (ou Meatpacking, enfim, eh lah embaixo, na Hudson Street). Digo que foi uma sorte, porque hoje tive que voltar la. Eh o melhor chocolate quente de todo o universo. Feito com 60% de chocolate amargo derretido, nao sei quanto de leite (a 2% de gordura) e os outros ingredientes variam de acordo com o fregues: pode ir pimenta chipotle, pimenta jalapeno, laranja, gengibre, da ate pra ser so o leite. Eh a-ma-zing. Nunca mais volto la, ate amanha.

...

Ontem fui ateh o campus da Columbia University, no Upper Upper West Side. Tava um dia lindo. Eu sentei nos degraus da biblioteca, junto com outros varios estudantes que tomavam sol na hora do almoco, e brinquei de estar ali por varios minutos. Depois fui andando ateh o Harlem - desta vez fui ate a rua 125 - comi uma pizza num banco da Morningside Drive, peguei o trem e voltei.

...

Minhas aulinhas tem sido muito divertidas. Minha professora resolveu que eu tenho que cantar em cima de um trampolim - para liberar a mente, fazer o corpo responder intuitivamente e fazer o ar fluir de forma mais natural e intuitiva. Dificil eh nao gargalhar cantando e pulando numa cama elastica - e me vendo num espelho de 2,0x1,5m. De todo o modo, o resultado eh impressionante, o corpo reage imediatamente e a musculatura fica espertissima. Agora o desafio eh levar a cama elastica para os shows.

...

Quem estava na saida da minha aula, hoje, era a Kerry Butler*. Apertei a mao dela, dei beijinho e tudo. How about that?



*Ok, ok: Kerry Butler, atual estrela de Xanadu, tambem estrelou A Bela e a Fera e A Pequena Loja dos Horrores, tudo na Broadway.

Escrito por Anna T. às 21h42
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I'M NOT THERE

Filme-delirio do Todd Haynes baseado "nas muitas vidas" (e possibilidades) de Bob Dylan. A premissa, na verdade, eh muito boa! (Eu ia falar que a premissa era instigante, mas ai fui automaticamente gongada pelo meu detector de lugares-comuns) E o diretor/escritor escolheu o "tema" Bob Dylan amparado num material rico: reportagens, entrevistas e biografias que apresentavam as faces controversas do artista. Mas a ideia se aplica lindamente a qualquer vida de qualquer pessoa que ja mudou de ideia, pulou de um barco, enfim, qualquer pessoa viva.

O que me faz lembrar de outra coisa muito interessante, que li hoje mesmo: Steve Martin acabou de lancar sua autobiografia chamada Born Standing Up. Na verdade, eh a narrativa de um periodo especifico da sua vida - os anos em que Martin fez stand-up comedy. Ele conta que fez stand-up comedy por 18 anos. Dez anos, ele passou aprendendo; quatro, aperfeicoando; e os ultimos quatro foram os anos de sucesso. Ha vinte anos ele abandonou a atividade e nunca mais voltou a se apresentar como comediante-solo em clubes. E agora, ele diz, o seu livro recem-escrito eh antes uma biografia do que uma autobiografia, pois ele se sente contando a historia de uma outra pessoa.

Voltando a I'm Not There, agora: imagino que Bob Dylan seja uma figura mitica dentro da cultura norte-americana, ele personificou uma serie de icones pop na hora em que eles eram necessarios, praticamente um genio do timing - ou zeitgeist, pra ser mais correta: o folk-singer ingenuo, o cantor de protesto, o superstar da contra-cultura, o poeta beatnik, o lone ranger. O filme vale-se de seis atores diferentes e de uma serie de elipses para imaginar como seriam as vidas de todos estes personagens lancados ao vento por Dylan.
Eh um filme belissimo, a fotografia eh um poema, os atores sao todos excelentes - especialmente Heath Ledger e Cate Blanchett, mas tambem tem o Christian Bale, que simplesmente eh o Bob Dylan... Bom. Faco uma ressalava ao roteiro, porem, que apresenta as versoes possiveis de Dylan, mostrando-o em todas as versoes um grande poeta, um genio, um visionario, mas em todas, tambem, um incrivel babaca arrogante que tem preguica de falar com as pessoas (menos o dylan versao crianca, que eh um cara legal). Eh como se, ao tornar a genialidade um fato consumado, o roteiro acabasse por diminuir o seu valor. Sei la. Entende?





Escrito por Anna T. às 01h49
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ULTIMAS NOTICIAS SOBRE A GREVE NA BROADWAY

A greve dura duas semanas, agora (Marcel ficou chocado ao saber que o TKTS estah fechado. Pois eh...). Hoje teve mais uma negociacao, nao assisti TV para saber se chegaram a um acordo, mas hoje conversei com um piqueteiro/grevista na frente do New Century Theatre e ele me explicou que, se hoje os produtores entrassem em acordo com os tecnicos, na terca os atores seriam reconvocados, haveria ensaios e as pecas reestreariam entre quinta e sexta desta semana.

O sensacional eh a historia do Grinch, que entrou em cartaz por liminar. O show How the Grinch Stole Christmas eh uma tradicao de Natal e teria que estrear agora, no meio de novembro, e ficar em cartaz ateh o dia 6 de janeiro, etc, etc. Eh tao tradicional quanto o Radio City Christmas Spetacular (que esta rolando normalmente, porque eh uma producao regulamentada por outro sindicato), mas estava cancelado, por passar "na Broadway", ou seja, o show acontece num teatro do mainstream e obedece as normas do sindicato da Broadway (Stage One). A choradeira foi inacreditavel, a tv mostrava cenas de familias chorando na frente da bilheteria fechada - "nos viemos do texas para assistir o Grinch no feriado [do thanksgiving]!" - os jornais chamavam este natal de "The Christmas Fiasco" e "How Stage One Stole the Grinch"...

Ate que a prefeitura entrou com um recurso - sei la em que termos - para o Stage One (o sindicato da broadway) liberar o Grinch para apresentacao. Uma brigaiada, mas levou. O Grinch reestreou ontem, com criancinhas chorando (de alegria) e maes felizes, dizendo god bless america & merry christmas everybody para as cameras de teve.

Escrito por Anna T. às 02h58
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NEWS UPDATE

I can see clearly now that I cannot see a thing

Assisti No Country for Old Men, o filme novo dos irmaos Cohen. Tava indo muito bem, muito bem mesmo, ateh que eu nao entendi mais nada. Foi como se de repente o Ethan e o Joel Cohen tivessem se transformado no David Lynch. Sai do cinema frustradissima. Pela reacao geral da plateia, nao fui a unica, mas nao diminuiu a sensacao de que a falha era minha. Vou ter que assistir de novo, com legenda. Bolas. Ainda assim, o Javier Bardem estah magnifico. Redimiu-se daquele erro que eh O Amor nos Tempos do Colera, aquele filme eh uma vergonha.

I can see clearly now

Show da Ute Lemper, no Joe's Pub. Deslumbrante e epifanico. Sem mais palavras.

On a clear day (you can see forever)

Os dias tem sido bonitos. Ontem fui descendo pelo rio Hudson ate o Battery Park, na ponta da ilha (de onde saem os barcos para a Ellis Island, que abriga a Estatua da Liberdade). Albatrozes simpaticissimos faziam um show de revoadas e pousos enquanto o sol se punha, as quatro da tarde.

Hoje desci pela Madison Ave, contornando o centro pelo leste, ateh a rua 9. Almocei num restaurante espanhol ba-ra-tis-si-mo chamado La Paella (muito original, tambem), que serve uma refeicao eloquente - couvert de paes, sopa, salada, prato principal (paella), sobremesa (sorvete) e cafe expresso - por um preco fixo de 12 dolares e 95 cents. Anota, que vale a pena: fica na 214East 9th street, perto da 3rd avenue. Muito simpatico. Passei o resto da tarde no East Village e no Lower East, andei pelo soHo, comprei dois chaveiros na Pylones e uns discos de musica esquisita na Etherea, subi ate Chelsea (meu xodozinho), parei no mercadinho da rua 49, comprei uma salada e voltei para casa.



Escrito por Anna T. às 02h33
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O RETORNO DE JEI-DAI!!!

Sim!

Fui a Boston e passei o dia com minha amiga Jui-Lin Chung, a.k.a. Jei-Dai, minha roomate na Berklee. Fomos roomates em 2004 e, de la para ca, ela voltou para Taiwan, casou, engravidou, decidiu que queria voltar para Boston, teve uma filha - linda! - chamada Samantha e estah se formando na Berklee na proxima semana. Ativa, a menina.

Nosso almoco - no Top of the Hub, restaurante/mirante no ultimo andar do Prudential Center, que eh o predio mais alto de Boston - durou exatas tres horas, porque simplesmente nao comiamos, so conversavamos. Jui-Lin mandou reaquecer seu prato duas vezes. Engracadissimo. Os garcons borboleteavam ao nosso redor, sem saber o que fazer conosco.

Bom, enfim, em aproximadamente 30 segundos nos haviamos retomado a nossa dinamica de "ela fala, eu rio/ eu falo, ela ri e olha no dicionario". O ingles da Jei-Dai melhorou muitissimo nos ultimos dois anos, devo ressalvar. Mas voce pode tirar uma pessoa de taiwan, mas nao tira taiwan da pessoa.

DE PORQUE JEI-DAI DECIDIU VOLTAR PARA A BERKLEE

Depois do curso de verao, em 2004, ela voltou para Taiwan cheia de ideas novas sobre como tocar, como distribuir as notas nos acordes, como funcionava a harmonia no jazz, estas coisas. Ai ela chegou para o seu professor, em Taiwan, e perguntou: "Como eu faco para usar a 13a. como tensao no acorde dominante?" Ao que ele respondeu: "Voce vai precisar de muito dinheiro".

.

DE COMO FOI A NEGOCIACAO PARA A MUDANCA

"Bem", ela pensou, "se eu vou gastar uma grana preta em aula particular, eu prefiro ir estudar em Boston"

Soh que a esta altura, a Jei-Dai tinha se casado! E estava gravida! Alem de negociar com a familia, audicionar para uma bolsa de estudos e conseguir um emprestimo para vir estudar, ela precisou convencer o novo marido que precisava morar em outro pais por, pelo menos, dois anos.
- Um ano -ele disse.
- Dois - ela explicou - eu preciso de pelo menos quatro semestres.
- Um ano e eu vou ficar com voce.
- Dois anos - ela insistiu.
- Um ano e meio - ele cedeu.
- Voce cuida do nenem no ultimo semestre.
- Feito.

Jei-Dai voltou para Boston aos cinco meses de gravidez, em julho de 2006. Fez o primeiro semestre inteiro no verao, num curso intensivo, e escolheu uma major com menos creditos, para poder completar tudo em 18 meses. A Samantha nasceu, ela continuou estudando. Em setembro passado, o marido cumpriu o acordo e voltou para Taiwan com a nenem, para que a Jei-Dai pudesse se formar. Ela me mostrou a grade de materias, eh uma coisa insana. Ela disse "nao tenho tempo de me sentir sozinha".

BEING JEI-DAI

- Anna, I hab a question.
- Shoot.
- What? Why?
- Never mind. What question?
- Dat black girl singer. Beyonce.
- Yes?
- Why they call her beyonce? She is never married?
- Whoa whoa whoa. Come again?
- Why she is always beyonce, never a bride?
- What? Who?
- When she is married she will change name to Wife?
- ... omigod...No! No! Her name is BEYONCE, not FIANCEE!
- Not the same thing?
- No!
- Oh. I thought it was strange.

BEING JEI-DAI - part two

- Anna, help me. What does the lyrics for The Shepherdesses say?
- Wow. Which song is that?
- A brazilian one. I love it.
- What is the name, again?
- The Shepherdesses.
- Wait... The Shep.. AS PASTORINHAS?! You know As Pastorinhas?
- Is the same one? (ela cantarola "As Pastorinhas", de Joao de Barro) I just love this song! What does it say?

Corta para 20 minutos depois: eu ainda tentando explicar o que eh "a estrela d'alva". Jei-Dai olha no seu dicionario eletronico e me explica, com toda a paciencia, que a Estrela d'Alva, na verdade, eh um planeta - Venus - e que eu devia saber disto.

Corta para 30 minutos depois: consegui explicar - eu acho - a primeira parte da musica (ate "lindos versos de amor"). Jei-Dai pergunta "e quando a musica modula para o modo maior, o que diz a letra?" E eu:"ah, diz, eu te amo, voce nao me ama, pronto" E ela: "ok".




BEING JEI-DAI - part three

Vamos tirar fotos juntas!

Jei-Dai abre a sua bolsa e tira uma maquina digital quadradona e desajeitada, que esta com o flash e o visor estragados.

- Eh da minha mae - ela explica - eu peguei emprestado.
- Pelamor de deus, compra uma maquina nova.
Ela me olha com indisfarcavel pena da minha ignorancia:
- Por que eu compraria uma maquina nova aqui? Vou comprar nos Estados Unidos uma coisa feita em Taiwan?!
- Eh mesmo, ne? - eu digo.
Ela sorri:
- Eu sei...

Escrito por Anna T. às 04h27
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NOTAS RAPIDAS SOBRE A THANKSGIVING PARADE

O balao do Snoopy foi o mais aplaudido.

A coisa mais bizarra que eu presenciei - e olhe que... - foi um M&M verde fantasiado de Elphaba*

Eh hilario ver as bandas pop se autodublando - e tendo o proprio numero interrompido depois de 1'30"s.

O Menudo ainda existe.

Cheerleaders sao o equivalente norte-americano para as nossas passistas. Imagino que a cheerleader que eh jogada para o alto e que vai na frente seja a madrinha da bateria.

Sarah Brightman pendurada num mastro, vestida de Rainha Pirata, e dublando os proprios vocais com lots of reverbe... Bem, ela eh especialista em dublagem, afinal. Qual o problema?


* Elphaba eh a bruxa verde ma, do musical Wicked.

Escrito por Anna T. às 17h19
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DEUS NOS ACUDA

Santo Deus. Eu nao fazia ideia.

Amanha (dia 22, quinta) eh Thanksgiving, a cidade soh fala nisto, fecharam a Central Park West para a parada, os restaurantes e os mercadinhos oferecem perus com recheio, sem recheio, soh o recheio sem o peru, perus assados, sem assar, a ceia completa com pratos de papelao e talheres de plastico, enfim, o que voce quiser. Eu achava que ficava nisto. Nananina.

Sexta feira, comeca a Maratona de Compras Pos-Thanksgiving. Isto mesmo. Chama assim: After-Thanksgivng Shopping Marathon. Dura de um a dois dias, depedendo da loja, mas todas as grandes lojas da cidade participam da promocao. Eh assim: durante estes dois dias, as lojas vendem tudo com desconto a partir de 30% e eh acumulativo, quanto mais compras, mais desconto. As lojas abrem na madrugada de sexta feira e ficam abertas, viradas, ateh a manha de domingo. A Macy's, por exemplo, vai abrir as duas da manha de sexta. A H&M (que eh a C&A daqui) tambem. Pelo que entendi, as pessoas passam o dia do Thanksgiving comendo e descansando, e a noite vao pra porta da loja e passam 24h comprando. Quem chega mais cedo pega os melhores produtos.

O jornal (da teve) dava as dicas para os maratonistas - nao leve seu carro para nao perder tempo estacionando, peca para alguem te buscar; se o provador das mulheres estiver cheio, use o dos homens; prefira lojas com vendedores comissionados, para nao entrar na fila do caixa; etc.

O que eu vou fazer na Shopping Marathon? Vou pegar um trem e ir pra Boston. Santo Deus.

Escrito por Anna T. às 03h36
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BRIAN SETZER's CHRISTMAS EXTRAVAGANZA

Sim, este era o nome do show que fui assistir hoje, no Beacon Theatre, no Upper West Side. Normalmente eu fujo de qualquer coisa que tenha no titulo a palavra Christmas e/ou Extavaganza. Mas antes vinha o nome do Brian Setzer, o feliz proprietario de uma das big bands mais legais e atuantes dos nossos tempos. Ai, eh claro, sabendo que seria na vespera de Thanksgiving - e jah tendo entendido que o thanksgiving abre a temporada oficial de cancoes de natal - eu fui preparada para ouvir Jingle Bells e Santa Claus Is Coming to Town e todas estas cancoes simpaticas que tocam ininterruptamente pelas ruas e lojas de agora ateh o dia 6 de janeiro (meu Deus, honestamente, eu nao entendo como eles aguentam, eh um massacre!).

Bom, voltando ao Show de Natal do Brian Setzer. O Beacon Theatre eh muito bonito, eh um teatro muito grande, com balcoes, camarotes dourados, cortinas de veludo vermelho e com um lindo arco dourado destacando a boca de cena. O publico tinha mais ou menos a minha idade, a galerinha que ouvia rockabilly na mtv, na epoca dos StrayCats - e quando a MTV passava clipes. Mas tinha um pessoal de uns vinte anos, tambem, que deve ter descoberto o Brian Setzer no You Tube e que conhecia as musicas.

Teve um show de abertura de uma banda inglesa de rockabilly chamada The Detonators. O nome eh miseravel, mas eles eram bem bons, faziam uns covers de Roy Orbison e outras coisinhas mais rock'n'roll.

Ai chegou o Brian Setzer e sua Orchestra. Guitarra (ele mesmo), baixo, bateria, duas otimas vocalistas, quatro trombones, quatro trumpetes e cinco saxofones. Uma barulheira maravilhosa. O show foi bem satisfatorio. Ele cantou as cancoes de natal que estavam no programa - e nem doeu - e lascou mais uma hora e meia de sucessos muito dancantes. Teve ateh um momento Straycats, em que ele dispensou a banda e ficou soh com o baterista e o baixista - enlouquecidos, pulando e gritando enquanto tocavam, uma delicia. Minha unica tristeza foi que ele nao tocou a musica que eu mais esperava, que eh o "Tu Vuo Fa l' Americano".

Sugiro veementemente, para os que nunca ouviram, ir para o you tube neste momento e procurar: "brian setzer". Vale bem a pena.


Escrito por Anna T. às 03h14
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TROQUE SEU CACHORRO...

Deus me perdoe o cinismo. Mas nao da pra deixar de notar que a moda agora eh crianca chinesa. Voce anda pela 5a avenida, pela Lexington, pelo Upper East Side, e ve as endinheiradas levando uma ou duas criancinhas chinesas pela mao, muito bem-vestidas e cuidadas, em geral com idade entre 4 e 8. Curiosamente, tambem, as mulheres tem, em geral, entre 40 e 50 anos, e nunca ha um homem junto no passeio. No maximo, uma baba - latina.

No Village, onde a populacao eh mais jovem e menos rica, os cachorros ainda predominam.

Escrito por Anna T. às 18h45
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).

Escrito por Anna T. às 18h22
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Seurat no MoMa

Ha uma exibicao dos desenhos de Georges Seurat no MoMa, no 6 andar. Eh esclarecedora e comovente. Atraves dos desenhos (feitos em crayon conte preto sobre papel muito poroso) tem-se um vislumbre de como Seurat chegou no pontilhismo, pois ele usava a textura e a granulacao do papel como suporte expressivo - o crayon era muito versatil e se moldava, encaixava nas ranhuras do papel, acabava obtendo movimento e profundidade pelo uso (involuntario?) da granulacao.

Seurat morreu com 31 anos, mas seus estudos obsessivos - primeiro copiando os mestres, depois o estudando o uso da granulacao como movimento e forma de expressao, depois as cores para reproduzir o "halo" dos objetos - revelam que ele passou os seus poucos anos de vida enfronhado na busca da midia perfeita (e aqui, midia quer dizer suporte e meio de expressao). Na ultima sala, estao alguns dos quadros a oleo, junto dos estudos que os originaram. E descobrimos que ele fazia uma pintura a oleo, penteava a tela molhada (!!!) e pintava de novo por cima, para a tinta penetrar nas ranhuras e fixar mais intensamente em alguns pontos.

Eh muito impressionante, muito comovente.


Escrito por Anna T. às 18h10
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YOUNG FRANKENSTEIN

Eh o novo musical escrito-produzido pelo Mel Brooks- que estah com 81 anos, se nao me engano, e feliz quenem um pato n'agua. A producao eh um assombro, cada vez mais as producoes da Broadway se aproximam do que eu imagino ser DisneyWorld (nunca fui, pois eh...). Uma quantidade indecente de cenarios maravilhosos, efeitos especiais ainda mais inacreditaveis, chega a ser ostensivo. O elenco mais dos mais estelares que jah presenciei - Roger Bart, Megan Mullally, Sutton Foster, Andrea Martin, Fred Applegate, uma loucura, a peca parava sempre que um deles entrava em cena, por causa dos aplausos.

Isto posto, a peca eh engracadissima, eu gargalhava alto, e os numeros musicais sao muito poderosos. Se for para dizer alguma coisa, eu acho que o primeiro ato tem cancoes demais, mas, por outro lado, eh tudo muito divertido, seria uma pena cortar qualquer numero. Voce fala: "meu deus, vao cantar de novo?"e em seguida jah esta gargalhando com a musica. Nao ha nenhuma prtensao de se fazer musica memoravel, ali, ainda que haja algumas ("Transylvania Mania", por exemplo, e "Deep Love"). E o momento mais aguardado (para os fas do filme original, pelo menos), que eh "Puttin on the Ritz", supera as expectativas.

SOBRE A GREVE DOS TECNICOS

Nao acabou. A Broadway estah com 10% dos shows em cartaz, o resto foi cancelado. A estimativa eh que a cidade perca 17 milhoes por dia com a greve dos tecnicos. Os atores nao podem viajar: como eles nao estao em greve, tem que ir ao teatro, assinar o ponto e voltar pra casa. Alguns, jah que estao ali, aproveitam para fazer piquete na frente do teatro, junto com os tecnicos.

Os roteiristas de Hollywood tambem estao em greve, todo mundo sabe. Os talk-shows estao sendo obrigados a reprisar episodios, pois os apresentadores nao podem apresentar material novo (ou seja, falar sobre as atualidades), a menos que eles mesmos escrevam. Mas, se eles escrevem, sao escritores - e se sao escritores, estao furando a greve. Entendeu a situacao bizarra?

Meu amigo Roberto, que eh dublador, falou que no Brasil a greve jah afetou o trabalho dele, pois pararam de chegar episodios novos para dublar. E nao ha prazo para acabar a greve, nem em hollywood, nem na broadway.

Escrito por Anna T. às 03h44
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